Em 2022 foi realizada uma pesquisa formativa pelo consórcio do projecto USAID-IFPI (Improved Family Planning Initiative), composto pela Pathfinder, N’weti, PSI, Abt, Coalizão e MULEIDE, implementado em Nampula, Sofala e Zambézia. A metodologia Social Norms Exploration Tool desta pesquisa olha para o aprofundamento do conhecimento das normas sociais, culturais e de género que influenciam o acesso ao planeamento familiar e a identificação das mudanças nas representações e práticas sobre a saúde sexual e reprodutiva. Foi realizada em Angoche, Dondo e Mopeia para captar a diversidade étnica; a relação urbano/rural e zonas costeiras/interior; e as práticas culturais e religiosas permitindo colher as semelhanças e singularidades nas narrativas do grupo-alvo (adolescentes 13-17 anos) e dos grupos de referência (pais e cuidadores, líderes e membros influentes das comunidades, e provedores de serviço).

Esta pesquisa formativa permitiu identificar normas sociais, culturais e de género que, configurando a construção social de um modelo de masculinidade dominante, determinam que jovens e mulheres não tenham o poder de decisão no acesso aos serviços de planeamento familiar. Os mecanismos de socialização que formatam desigualmente mulheres e homens, ao longo do ciclo de vida, acentuam a conformidade com um modelo de normalização de subalternidade das mulheres e articulam a tomada de decisão pelos homens com o facto de ser chefe e provedor de família. Um conceito de chefia de família no sentido de controlo do corpo reprodutivo e sexual das mulheres. O poder masculino pode ser também intermediado pela mãe que se constitui, na ordem de género, como essencial para a reprodução cultural da desigualdade. O que está em causa é o controlo da sexualidade da adolescente e da jovem. A influência das normas, crenças e mitos no acesso e utilização dos métodos de planeamento familiar por parte das mulheres começa muito cedo e a construção da dominação masculina é um processo, que não recai sobre homens individualmente, mas de um sistema de normas que, incorporando crenças e mitos, legitimam o mandato masculino para o controlo, onde as mulheres (mães, tias, sogras, etc.) agem como intermediárias. Leia mais...

© Copyright 2026 N'weti. Design: Agência Signus
menu-circlecross-circle linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram